Após ataques, Médicos Sem Fronteiras suspende atividades no Congo

0
169

Atendimentos serão retomados quando houver segurança

Médicos Sem Fronteiras (MSF) está fazendo um apelo às Forças Armadas da República Democrática do Congo (FARDC), à Cooperativa para o Desenvolvimento do Congo (CODECO) e a todas as partes envolvidas nos conflitos na província de Ituri, na República Democrática do Congo (RDC), para que garantam a segurança dos profissionais humanitários, permitindo a retomada dos projetos de assistência médica em toda a região. As atividades estão suspensas desde 28 de outubro deste ano, quando agressores desconhecidos alvejaram um comboio de carros de MSF, deixando duas pessoas feridas na província de Ituri.

O ataque ocorreu quando os veículos da organização estavam voltando de uma área onde nossas equipes atendiam a população. Os autores do crime e seus motivos ainda são desconhecidos. “Hoje, não temos acesso seguro à área, por isso não podemos retomar nossas atividades”, disse Stéphane Hauser, coordenador de projeto de MSF em Nizi. “É necessário o compromisso de todas as partes envolvidas nos conflitos para garantir a segurança dos profissionais humanitários, sem exceções”, diz ele.

Desde o atentado, as atividades de MSF de apoio ao Ministério da Saúde Pública nas regiões de Bambou e Nizi foram suspensas. Como resultado, as equipes médicas não têm acesso a esses dois locais e não reiniciarão os atendimentos até novo aviso. Enquanto isso, MSF pediu às autoridades competentes que iniciassem uma investigação sobre o incidente em Bambou.

Nos últimos quatro anos, MSF trabalhou para fornecer assistência médica aos feridos afetados pelos conflitos em Ituri em ambos os lados da frente de batalha. “A suspensão forçada das atividades está privando as pessoas de assistência médica mínima que nossas atividades garantiam anteriormente”, diz Hauser. “Estamos indignados que feridos e doentes paguem mais uma vez o preço dessa insegurança”, diz ele.

Para atender às necessidades das pessoas afetadas pelos conflitos, é essencial que o acesso seja facilitado e garantido em todas as áreas em disputa, onde nossa ação humanitária é guiada pelos princípios da neutralidade e da imparcialidade.

A violência assola a província de Ituri desde 2017, principalmente em áreas onde MSF gerencia projetos. “Para que MSF retome as atividades, é necessário que haja compreensão e aceitação imediata de nossa ajuda humanitária e de nossos princípios. Isso deve ser esclarecido rapidamente para que possamos estabelecer se as condições permitem um retorno seguro”, diz Hauser.

Médicos Sem Fronteiras (MSF) trabalha de acordo com os princípios de imparcialidade, neutralidade e independência. Na província de Ituri, em colaboração com o Ministério da Saúde, MSF apoia quatro hospitais gerais, 12 centros de saúde, três postos de saúde e 32 centros de saúde comunitários para o tratamento de doenças pediátricas, desnutrição, malária, violência sexual e saúde mental.

As atividades de MSF em Nizi e Bambou forneceram assistência a mais de 470 mil pessoas, incluindo cerca de 175 mil em Nizi, 176 mil em Bambou e 120 mil deslocados internos. Nesse projeto, as equipes de MSF realizaram mais de 33 mil consultas no primeiro semestre de 2021 e conduziram 21.229 sessões de promoção de saúde.

Compartilhe
Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação