Posse de Petro e ‘sulamericanização’ da política externa colombiana: qual o impacto para o Brasil?

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Colômbia tem a quarta maior economia da América Latina

Especialistas ouvidos pela Sputnik Brasil analisam os impactos da chegada de Petro à presidência na América do Sul e as oportunidades de cooperação que se abrem com esse novo momento. Para eles, o Brasil, que tem os colombianos como o 20º maior parceiro comercial — com um superávit de US$ 976,2 milhões (cerca de R$ 5,09 bilhões) —, deve ser afetado pelas mudanças no país vizinho.
Analistas apontam que o mandatário, eleito pela coalizão Pacto Histórico ao lado da vice Francia Márquez, tem como principal desafio retomar e concluir o processo de paz no país, interrompido durante o governo de Iván Duque, e deve buscar uma reorientação na política externa, tornando-a menos voltada para os Estados Unidos. A normalização das relações com a Venezuela é um sinal bem claro disso.
A cerimônia de posse já indica as dificuldades nas relações entre o governo Petro e o governo Jair Bolsonaro (PL) e o caminho aberto caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vença as eleições de outubro deste ano. A ex-presidente Dilma Rousseff (PT), o ex-ministro Aloizio Mercadante (PT), coordenador do programa de governo de Lula, e o líder social Guilherme Boulos (Psol) estarão presentes no evento. O presidente brasileiro e o seu vice, Hamilton Mourão (Republicanos), decidiram não ir. O país será representado na ocasião pelo chanceler Carlos França.
Sulamericanização – A “sulamericanização” da política externa colombiana pode beneficiar a construção de processos de integração regional, fortalecendo o subcontinente, conforme aponta Roberto Goulart Menezes, professor do Instituto de Relações Internacionais (Irel) da Universidade de Brasília (Unb) e coordenador do Núcleo de Estudos Latino-Americanos (Nel) da instituição.

“Petro vai buscar ‘sulamericanizar’ sua política externa, com um reposicionamento da relação com os Estados Unidos e os países da América do Sul”, aponta Goulart Menezes à Sputnik Brasil.

Os impactos para o Brasil dependem diretamente do resultado das eleições. Caso o ex-presidente Lula vença o pleito — conforme indicam pesquisas eleitorais —, há um novo horizonte aberto para o Brasil liderar uma convergência regional para o desenvolvimento em conjunto. No entanto, se o presidente Jair Bolsonaro conquistar a reeleição, a tendência é de um maior isolamento do país na região, avalia o especialista.

“Lula tende a colocar a América do Sul em patamar de prioridade caso repita os governos anteriores. Se ele faz isso, é claro que vai encontrar na região uma cena política favorável ao entendimento, à concertação. Mas, com uma eventual reeleição de Bolsonaro, o Brasil vai continuar alheio às questões da América do Sul”, destaca o pesquisador da Unb.

“O momento é dos países trabalharem em conjunto para consolidar a América do Sul em um cenário de pós-pandemia. Um eventual governo Lula trabalharia para fortalecer a vacinação contra a COVID[-19] na região, valorizando o Instituto Butantan e a Fiocruz [Fundação Oswaldo Cruz], além de aproximar o subcontinente da China”, avalia Goulart Menezes.

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Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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