Na República Centro Africana, ataques a instalações de saúde, médicos e pacientes limitam socorro à população

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Wounded men resulting of may 2017 attacks, are waiting to go to urgency rooms of Bria Hospital. Des blessés à la suite des attaques de mai 2017 attendent d’être pris en charge dans la salle des urgences de l’hôpital de Bria.

Nos últimos seis meses, MSF testemunhou saques e vandalismo a dezenas de unidades médicas

Na República Centro Africana (RCA), o aumento da violência está forçando a suspensão das atividades médicas e restringindo seriamente o acesso das pessoas aos cuidados de saúde, afirma a organização internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF). São ataques implacáveis a pacientes, equipes médicas e instalações de saúde. “Desde dezembro, o ressurgimento do conflito em RCA tem afetado muito a população civil e os cuidados médicos”, diz o coordenador-geral de MSF, Rhian Gastineau. “Estamos muito alarmados com os repetidos ataques aos doentes, aos profissionais de saúde e às instalações médicas”.

Nos últimos seis meses, equipes de MSF testemunharam o saque a dezenas de unidades médicas, que foram danificadas e ocupadas por homens armados. As incursões armadas em hospitais também expuseram os pacientes à violência, abuso físico, interrogatório e prisão. Trabalhadores comunitários de saúde em áreas rurais foram ameaçados e agredidos, enquanto motociclistas que entregavam medicamentos vitais e transportavam pacientes para o hospital foram agredidos, feridos e roubados à mão armada. Esses atos de violência são geralmente atribuídos pelas partes em conflito no país a elementos não controlados de vários grupos armados.

Instalações saqueadas – Em fevereiro deste ano, combates entre forças governamentais e grupos armados não estatais deixaram um centro de saúde, apoiado por MSF, danificado depois que o local foi atingido por um foguete. A instalação, localizada no campo Elevage, perto de Bambari, atendia pessoas deslocadas. Em junho, um posto de saúde próximo também foi destruído, após 8.500 deslocados serem expulsos da unidade, que foi queimada e totalmente destruída.

Nos últimos seis meses, equipes móveis de MSF nas prefeituras de Ouaka, Ouham-Pendé e Ombella-Mpoko testemunharam várias instalações de saúde saqueadas e parcialmente destruídas, com painéis solares, suprimentos médicos e colchões roubados, além de portas e janelas quebradas.

Em Bangui e em outros lugares, homens armados entraram em unidades de saúde administradas e apoiadas por MSF para interrogar ou prender pacientes. Em fevereiro, um grupo de pessoas armadas tentou matar um paciente no hospital apoiado por MSF em Bouar.

República Centro-Africana: milhares de pessoas fogem da última onda de violência na capital Bangui | MSF

Trabalhadores de saúde – Em maio, perto da cidade de Kabo, dois agentes comunitários de saúde treinados por MSF foram baleados durante um assalto à mão armada. Outros dois profissionais de saúde ficaram com muito medo de continuar trabalhando, após receberem ameaças de morte.

Em junho, um comboio que transportava pacientes para o hospital de MSF, em Batangafo, foi pego por homens armados em uma emboscada, deixando o acompanhante de um doente morto, além de um motociclista e dois pacientes feridos. No mesmo mês, dois outros ataques ocorreram nas proximidades e outras situações semelhantes foram registradas perto de Bossangoa e Bria. “Desde dezembro, locomover-se nos arredores das principais cidades tem sido extremamente difícil e perigoso devido a postos de controle, roubos e ataques”, disse Gisa Kohler, coordenadora adjunta de programas de MSF.

MSF suspende atividades – Como resultado desses incidentes, em várias ocasiões MSF teve que suspender temporariamente suas atividades médicas, incluindo o fornecimento de cuidados vitais, fornecimento de medicamentos e transporte de pacientes. “A suspensão involuntária das nossas atividades apenas intensifica a vulnerabilidade das pessoas e resulta em mortes evitáveis de crianças e mulheres com complicações na gravidez e no parto, por exemplo”, diz Kohler.

Desde abril, MSF teve que reduzir os encaminhamentos de pacientes por motocicleta das áreas rurais para Kabo, devido aos riscos envolvidos. Como resultado, o número de pacientes encaminhados a cada mês caiu quase pela metade. Em junho, em algumas áreas ao redor de Kabo, os agentes comunitários de saúde da organização conseguiram realizar apenas um quarto do número normal de consultas semanais devido à insegurança.

“A suspensão e redução das atividades médicas em várias áreas onde trabalhamos é muito preocupante, especialmente com a estação chuvosa em curso, quando os casos de malária e outras doenças fatais atingem o pico”, diz Kohler.

Medo e pânico – Como resultado da crescente insegurança, muitas pessoas estão com medo de deixar suas casas para visitar um médico, enquanto vários profissionais de saúde fugiram de seus locais de trabalho em busca de segurança.

A violência também fez com que um grande número de pessoas chegasse aos complexos hospitalares em busca de proteção, atrapalhando os serviços de saúde. Às vezes, como aconteceu em Kabo em julho, apenas o boato de um ataque é o suficiente para criar um movimento repentino de pessoas em pânico.

MSF apela ao governo e a todas as partes no conflito para respeitarem a neutralidade das instalações de saúde e permitirem que as pessoas tenham acesso à assistência médica e humanitária. “Agora, mais do que nunca, todas as partes no conflito devem reforçar o respeito ao direito internacional humanitário, incluindo a proteção de civis, as instalações médicas, as equipes médicas e ao transporte”, diz o coordenador-geral de MSF, Rhian Gastineau.

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Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação