Não foi armação de adversários, mas pedido de “camarada” para espionar adversários do PCdoB

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AQUILES EMIR

O anúncio era para ter sido feito pela cúpula da Secretaria de Segurança Pública no dia 30 de junho, conforme promessa do secretário Jefferson Portela, dia 30 de abril, ao informar jornalistas convocados para uma coletiva de imprensa a abertura de uma sindicância pela Polícia Militar do Maranhão para investigar os responsáveis pela espionagem de opositores do governador Flávio Dino (PCdoB). A revelação, no entanto, veio pelas páginas da Folha de São Paulo, na edição desta quarta-feira (18), numa reportagem assinada por Thaís Bilenky. 

O responsável pela “arapongagem” teria sido o coronel Heron Santos (foto principal), um homem sem suspeitas de trabalhar para grupos contrários ao Palácio dos Leões, como versão oficial levantada após tornada pública a operação. Em 2014, o coronel disputou uma vaga de deputado estadual pelo partido do governador, ou seja, um bom “camarada”.

A conclusão que teria chegado a sindicância é de que o militar assumiu sozinho o risco de ordenar que comandantes do policiamento do interior para que informassem quais “as lideranças que fazem oposição (…), que podem causar embaraços no pleito eleitoral”.

Heron tinha sido convidado informalmente pelo comandante-geral da PM, Cel. Jorge Luongo, para realizar um planejamento da chamada Operação Eleições 2018, mas o Comando da PM nega que tenha estendido o pedido para o campo da espionagem e assim foram responsabilizados, além de Heron, o tenente Emerson Farias Costa, a major Ana Paula Fróes Barros e o major Antônio Carlos Araújo Castro.

Os quatro policiais envolvidos deverão apresentar sua defesa para que eventuais medidas sejam tomadas. Segundo o Governo do Estado, que antes havia levantado a suspeita de que a operação teria sido montada por militares a serviço dos opositores do governador (leia-se Grupo Sarney), diz que a determinação de espionagem foi ilegal.

Candidato a deputado estadual em 2014, o coronel Heron Santos foi responsabilizado por ordenar que comandantes informassem “as lideranças que fazem oposição (…), que podem causar embaraços no pleito eleitoral”. O subcomandante-geral, Pedro Ribeiro, orientou outro coronel, Zózimo Neto, a dar o apoio necessário a Heron na tarefa.

Pela versão oficial, por iniciativa própria, sem submetê-la a aprovação de  superiores, Heron instruiu Zózimo a ampliar a orientação para unidades do interior.  Zózimo repassou a ordem a Emerson Farias Costa, que, na ausência do superior, assinou o ofício, extrapolando sua competência, “haja vista que não havia qualquer tipo de delegação de seu chefe imediato”, assinalou o investigador.

De acordo com a apuração revelada pela Folha, Heron passou a cobrar Costa, a major Ana Paula Fróes Barros e um soldado sobre os resultados do monitoramento.  Em resposta, a major repassou o pedido de informações e, para isso, convocou reunião com PMs e determinou a elaboração de um e-mail para as unidades do interior.

(Com dados da Folha de São Paulo)

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Aquiles Emir
Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação