Nova pesquisa do DataPoder360 mostra liderança de Bolsonaro consolidada

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Uma nova pesquisa do Instituto DataPoder360, divulgada nesta quarta-feira (04), falatando três meses para a eleição presidencial em primeiro turno, confirma Jair Bolsonaro (PSL) na liderança isolada em cenários em que o ex-presidente Lula não mencionado. Outros cinco candidatos aparecem tecnicamente empatados em segundo lugar, com leve vantagem para Ciro Gomes (PDT).

De acordo com o instituto, o índice dos que dizem que não irão votar, votarão em branco ou votarão nulo varia de 40% a 42%. O instituto chega a fazer a comparação deste quadro com o ocorrido no estado do Tocantins, na eleição complementar de junho em que esse índice ficou em 52%.

Segundo o DataPoder360, foram aplicadas 5.500 entrevistas por meio de telefones fixos e celulares, entre os dias 25 a 29 de junho em 229 cidades em todas as regiões do país. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O registro do estudo no TSE é BR-05297/2018.

 

Apesar de ainda manter a liderança, Jair Bolsonaro caiu quatro pontos na comparação com maio, enquanto Ciro Gomes (PDT) cresceu um, assim como Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede). A grande novidade é o tucano em terceiro lugar à frente de Marina, que nos levantamentos de outros institutos sempre aparece em segundo lugar.

Apesar de testado em maio, o ex-prefeito de São Paulo João Doria (PSDB) não foi avaliado como alternativa no lugar de Alckmin, já que está definida sua candidatura a governador do seu estado.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi testado e atingiu 35%.

De forma resumida, a pesquisa mostrou o seguinte:

  • Jair Bolsonaro (PSL) – o representante da direita registrou uma variação negativa nos cenários testados, mas sempre no limite da margem de erro (2 pontos percentuais, para mais ou para menos). Tinha 21% e 25%. Agora, tem de 18% a 21%.É necessário levar em conta que a última pesquisa foi no final de maio, no auge da paralisação de caminhoneiros que afetou todo o Brasil. Havia uma propensão entre os eleitores para manifestar aversão a políticos em geral –sentimento do qual se beneficia Bolsonaro, apesar de ele próprio estar na vida pública há décadas. Agora, a oscilação negativa que teve pode indicar 1 refluxo, ainda que marginal, em seu eleitorado. Só as próximas pesquisas trarão uma resposta mais definitiva.Neste momento, parece certo que o capitão do Exército na reserva tem cerca de 20% das intenções de voto. Quando vai ao 2º turno, sobe para o patamar de 36%. A seu favor, Bolsonaro tem o fato de ter eleitores muito convictos: 79% dizem que votam nele com certeza e não mudam mais de opinião. A maior dificuldade do nome do PSL continua sendo o voto feminino. Bolsonaro chega a 26% entre homens e tem apenas 11% entre mulheres.
  • Ciro Gomes (PDT) – continua sendo o 2º colocado mais bem posicionado, mas sua distância para os demais é muito pequena, pouco acima da margem de erro. Ciro luta para herdar os votos de esquerda que naturalmente têm ido para o PT nas últimas décadas. Precisa também ampliar suas alianças partidárias. Todas as pesquisas recentes indicam que 1 eventual “candidato do Lula” poderá rapidamente ganhar tração durante a campanha. O eleitor de esquerda pode preferir votar em 1 nome “de marca” (filiado ao PT) em detrimento de 1 “nome genérico” (Ciro). É necessário levar em conta que Ciro tem sido 1 dos candidatos que têm conseguido mais visibilidade no noticiário, a chamada “free media”, por conta de suas propostas sempre apresentadas de maneira efusiva e direta. Mesmo assim, suas variações ficam sempre dentro da margem de erro. Tinha 11% e 12% no final de maio. Agora, 12% e 13%.
  • Fernando Haddad (PT) – cotado para substituir Lula na corrida pelo Planalto, o ex-prefeito de São Paulo pontua 5% ou 6%, conforme o cenário testado. Há 1 mês, tinha 6% ou 8%. Haddad é apresentado logo no primeiro cenário testado, sem que o nome de Lula tenha sido mencionado ainda na pesquisa. Essa é uma diferença importante da metodologia do DataPoder360 em relação a outros levantamentos.A presença de Lula logo no início de uma pesquisa tende a “esquentar” o eleitor do PT que deseja votar no ex-presidente –que no momento está preso cumprindo pena imposta por condenação na Lava Jato. Sem Lula no início da pesquisa e apenas confrontado com a opção de outro petista (Haddad), esse nome alternativo do partido tende a ter 1 desempenho melhor do que em outros estudos de intenção de voto. Na realidade, é uma forma de testar como será o eventual desempenho do substituto de Lula. Entre os eleitores que hoje dizem votar em Lula (uma pergunta posterior no levantamento), Haddad chega a ter até 34% de potencial de apoio;
  • Marina Silva (Rede) – em pesquisas por telefone, como esta do DataPoder360, a pré-candidata da Rede sempre tem 1 desempenho pior do que em levantamentos feitos com entrevista face a face. Neste estudo ela pontua 7% nos 2 cenários testados (há 1 mês, tinha 6% ou 7%). Essa discrepância pode ser explicada, pelo menos em parte, pelo voto pouco sólido de Marina Silva. Entre seus eleitores, 31% dizem que ainda podem mudar de opinião.
    Como Marina é uma candidata que incorpora o que se convencionou chamar de “politicamente correto”, possivelmente muitos eleitores acabam dizendo neste momento que vão votar na pré-candidata da Rede em entrevistas pessoais –embora não tenham tanta certeza assim. Esse comportamento tende a ser menos presente em entrevistas impessoais e automatizadas, ao telefone;
  • Geraldo Alckmin (PSDB) – paralisado, o tucano pontua 7% ou 8% nesta pesquisa do final de junho. Há 1 mês, no final de maio, tinha 6% ou 7%. Geraldo Alckmin rivaliza com Marina Silva quando se trata de voto pouco cristalizado: 39% de seus eleitores dizem que ainda podem mudar de opinião. Com uma equipe muito profissionalizada, partido grande e tempo de TV garantido, Alckmin é em teoria o pré-candidato que mais reúne predicados objetivos para decolar na fase final. Ocorre que política não é uma ciência exata. Os comerciais do tucano na rede evocam parcialmente os de Ulysses Guimarães na TV durante a campanha de 1989 pelo Planalto. As peças publicitárias exaltam o fato de Alckmin estar no mesmo partido há 30 anos e de ser o mais experiente entre os concorrentes. Era o que Ulysses dizia em 1989, até porque eram fatos substantivos e incontestáveis. Mas naquele ano o eleitorado buscava por 1 candidato com outro tipo de estampa –e ele ficou com apenas 4% dos votos;
  • Alvaro Dias (Podemos) – o ex-tucano e senador pelo Paraná tem 4% e 5%. No final de maio, pontuava 5% e 6%. Demonstra ter dificuldade para ampliar seu leque de apoio. Tem 14% na região Sul. Nas demais, vai de 1% a 4%. Houve 1 momento no atual ciclo eleitoral em que Alvaro foi considerado como opção do autodenominado “centro”, mas essa onda nunca ganhou tração e o pré-candidato do Podemos terá muita dificuldade para decolar. Como neste momento Geraldo Alckmin pontua quase o dobro, talvez voltem as negociações para que Alvaro possa ser o vice do tucano –algo que o Podemos já rejeitou mais de uma vez.

Segundo turno – Foram testados quatro cenários num eventual segundo turno e Jair Bolsonaro vence em todos eles. Veja os números:

(Com dados do DataPoder)

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Aquiles Emir
Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação