Novo relatório de painel do clima mostra que humanidade só tem uma fresta aberta para estabilizar crise climática

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IPCC aumenta responsabilidade de Glasgow e pressiona Brasil

O Sexto Relatório de Avaliação do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), lançado nesta segunda-feira (09), traz dois recados arrepiantes para os governos do mundo inteiro. Primeiro, a conclusão de que os seres humanos provavelmente causaram a quase totalidade do aquecimento global observado no último século.

Segundo, que dos cinco cenários de emissão avaliados apenas um nos dá alguma chance de manter viva a meta do Acordo de Paris de estabilizar o aquecimento em 1,5oC — e, mesmo assim, ele envolve amargar algumas décadas de temperaturas acima do limite a partir dos anos 2030.

Esses dois fatos significam que os chefes de Estado e os diplomatas que se reunirão a partir de 31 de outubro em Glasgow, Escócia, para mais uma rodada de negociações de clima estarão com a faca no pescoço. Precisarão aumentar radical e imediatamente a ambição das metas nacionais de corte de gases de efeito estufa (NDCs) postas sobre a mesa para 2030, ao mesmo tempo em que terão de reforçar o apelo para que o mundo caminhe da emissão zero em 2050.

Não que com a Sibéria pegando fogo, a Alemanha e a China debaixo d’água e a década mais quente já registrada os governos ainda precisassem de mais evidência para agir imediatamente. Mas a solidez do relatório do IPCC e a repercussão mundial que ele terá turbinam a importância da conferência de Glasgow, a COP26.

“A linguagem do relatório é muito forte e reflete o sólido consenso cientifico sobre o problema. O IPCC diz claramente que é inequívoca a interferência humana no clima. Não é mais um debate sobre se as ações humanas dão causa à crise climática, mas do quanto. E o quanto, estimado pela primeira vez é estarrecedor: fomos responsáveis por 1,07oC do total de 1,09oC do aumento da temperatura desde a era pré-industrial”, diz Stela Herschmann, especialista em Política Climática do Observatório do Clima.

“Além do mais, apesar de dizer que a chance de 1,5oC ainda existe, o documento também mostra que a janela para isso é estreita, e não comporta governos negacionistas.”

O Brasil, cujo governo está sendo processado por ter reduzido a ambição da própria meta, deve chegar à COP26 ainda mais pressionado. Jair Bolsonaro, que já foi apelidado de “o negacionista mais perigoso do mundo”, deve conquistar em Glasgow o status de ameaça climática global. “Os resultados do IPCC implicam que a redução drástica do desmatamento na Amazônia será um elemento essencial da conta da estabilização do clima nos próximos anos. Para azar da humanidade, o presidente do Brasil é Jair Bolsonaro, que quer ver a floresta no chão. Para azar de Bolsonaro, os brasileiros e o resto do mundo não vão aceitar isso calados”, afirma Marcio Astrini, secretário-executivo do OC.

Leia o sumário executivo do relatório do IPCC (em inglês) em www.ipcc.ch

Leia um resumo comentado pelo Observatório do Clima aqui.

Sobre o Observatório do Clima: rede formada em 2002, composta por 66 organizações não governamentais e movimentos sociais. Atua para o progresso do diálogo, das políticas públicas e processos de tomada de decisão sobre mudanças climáticas no país e globalmente. Site: http://oc.eco.br.

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Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação