O Pato e Donald Trump

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Para Donald Trump, não interessa a forma de levar a melhor e vencer, importa é ganhar sempre

O genial desenhista Walt Disney criou uma plêiade de personagens, Mickey
Mouse, o Pato Donald. Posteriormente, o desenhista Cart Barks, introduziu o Tio
Patinhas, para compor com o sobrinho Donald, que é por sua vez tio de Zezinho,
Huguinho e Luisinho. Eles animaram gerações de adultos e crianças atentas ao Conto de
Natal, inspirado em Charles Dickens. São Personagens de revistas em quadrinhos e filmes
de desenho animado.

Em 1941, Disney esteve no Brasil em missão do Departamento de
Estado norte-americano objetivando conquistar a simpatia dos países da América Latina
no esforço de guerra contra o nazi-fascismo. Na ocasião, criou o personagem Zé Carioca,
um tipo engraçado de malandro de bem com a vida. Disse ser a sua homenagem aos
brasileiros, e em especial ao desenhista e caricaturista J. Carlos, a quem convidou para
integrar o seu estúdio.

Os tipos idealizados por Disney têm sido objeto de estudos de parte de sociólogos visando descobrir os arquétipos que representam. A exemplo do Pato Donald e do seu tio Patinhas. São milionários, dão enorme valor ao poder do dinheiro. Baseado em Dickens, seus sobrinhos-netos, Zezinho, Huguinho e Luisinho tentam despertar no velho os sentimentos de amor, bondade, solidariedade, em vão, seu objetivo é amealhar mais e mais moedas, é sempre lucrar.

O atual Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump é um milionário do ramo imobiliário e de outros negócios rentáveis. Para ele não interessa a forma de levar a melhor e vencer, importa é ganhar sempre. Com essa filosofia, filiou-se ao Partido Democrata, depois ao Republicano, trazendo para a política a mesma visão negocial. Candidatou-se e elegeu-se Presidente de uma das maiores potências mundiais, adotando postura de populista de direita. Não vem ao caso discutir o mérito de suas ideias, todas se podem fazer representar em uma democracia. Importa sim, o respeito às instituições assecuratórias do processo garantidor da continuidade de uma sociedade aberta e livre.

Semana passada, todas as televisões do mundo registraram as chocantes cenas de invasão do Congresso dos Estados Unidos por ativistas descontentes com os resultados das eleições para a presidência. Asseguram ter havido fraudes nos resultados que dariam vitória ao seu líder Donald Trump. Sem provas convincentes a Justiça do país desconsiderou os argumentos. O suficiente para que os telespectadores assistissem o inimaginável. Pareciam cenas do que os norte-americanos chamavam nos anos cinquenta e sessenta do século passado, de coisa de repúblicas de bananas, se referindo aos golpes e lances parecidos em países latino-americanos.

Independentemente dos prejuízos desses acontecimentos para a imagem da
democracia dos Estados Unidos, que como se sabe, é dotada de instituições sólidas, em

tempo de globalização, eles são repletos de lições universais. A começar pela evidência
de que o mundo dos negócios não é igual ao da política, neste trabalha-se com valores,
como justiça, igualdade, liberdade, fraternidade, enquanto na atividade negocial
predominam as razões de lucros e de resultados.

Assim, o principal equívoco de Donald Trump foi a adoção da moeda do Tio Patinhas e do seu sobrinho Donald como lema e símbolo de exercício da Presidência. Perdeu a eleição e a credibilidade para boa parte da população dos Estados Unidos. Seus seguidores, aqui e alhures não devem esquecer, a História não se repete, a não ser em forma de farsa.

No episódio da invasão do Congresso, ilícitos foram cometidos contra as instituições norte-americanas, mas eles saberão como puni-los na forma da Lei. É visível a necessidade de reformulação da legislação partidária, que lá não encontra a importância e os limites de países como o nosso, integrantes do sistema jurídico continental. Com certeza terão as saídas dentro de sua tradição política e jurídica.

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Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação