Para contestar Folha, governo cita reportagem da Exame, que laudos da Sema desmentiram

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AQUILES EMIR

O Governo do Estado reagiu, neste domingo (05), com uma nota oficial, ao jornal Folha de São Paulo, que numa reportagem publicada, também neste domingo, atesta que das 21 praias analisadas no Maranhão, em São José de Ribamar e em São Luís, todas estão em péssimo estado de balneabilidade, ou seja, impróprias para o banho de mar. O jornal, que fez uma análise de quase todos os estados litorâneos, diz que seguiu normas federais para medir a qualidade das águas e constatou que de cada dez praias brasileiras, três estão poluídas.

“Uma praia é considerada própria se não tiver registrado mais de 1.000 coliformes fecais para cada 100 ml de água na semana de análise e nas quatro anteriores”, diz a reportagem, que teria seguido os métodos da Cetesb (companhia de saneamento ambiental de São Paulo), que faz a identificação entre ótima e péssima a partir de levantamentos semanais.

Para contestar a reportagem do jornal paulista, o Governo diz que ela “aponta um quadro já superado desde julho de 2016, quando os relatórios técnicos e laboratoriais passaram a apontar a balneabilidade de quase a totalidade das praias da capital. Fato destacado pela revista Exame que colocou São Luís entre as capitais com as praias mais limpas do país”.

Ocorre que, devido à metodologia utilizada pela Secretaria de Meio Ambiente, a reportagem da revista quinzenal da Editora Abril, publicada dia 17 de janeiro, foi desmentida pelo próprio Governo do Maranhão. O que disse a Exame? “Santa Catarina registra hoje o maior número de locais inadequados para banho de mar: entre os 214 pontos monitorados no estado, 71 estão poluídos e devem ser evitados. Em contrapartida, no Maranhão, apenas um ponto (entre 21) foi considerado impróprio”.

Quatro dias depois desta publicação, porém, o Governo do Estado distribuiu uma nota sobre balneabilidade das praias em que afirma: “De acordo com o laudo, as praias de São Marcos, Calhau, Olho D’agua, Meio e Araçagi estão com todos os pontos próprios para o banho. Já a praia da Ponta D’areia apresenta três locais em que os níveis de enterecocos estão acima dos aceitáveis (atrás do Bar do Dodô, em frente ao Edifício Herbene Regadas e em frente ao Hotel Brisamar)”, ou seja, em vez de apenas um ponto impróprio, identificado pela Exame, já eram três, e já houve semana em que eram sete ou oito.

Talvez a análise mais sensata sobre esse tema tenha sido do senador Roberto Rocha, para quem a questão maior é o fato de um assunto ter saúde pública vir sendo usado como munição para atingir alvos políticos, e chega a dizer que mais poluídas do que as praias de São Luís são as mentes de alguns integrantes da equipe do atual governo.

Eis a nota do Governo do Estado sobre balneabilidade das praias:

O Governo do Maranhão esclarece que a reportagem do jornal Folha de S. Paulo divulgada neste domingo (6) usa dados desatualizados relativos ao início de 2016, quando obras importantes ainda estavam tendo início.

O levantamento usa critério segundo o qual são consideradas “péssimas” as praias que passaram 50% do ano impróprias. Portanto, aponta um quadro já superado desde julho de 2016, quando os relatórios técnicos e laboratoriais passaram a apontar a balneabilidade de quase a totalidade das praias da capital. Fato destacado pela revista Exame que colocou São Luís entre as capitais com as praias mais limpas do país.

O Governo do Maranhão divulga semanalmente os dados atualizados da situação das praias e continua com as obras para melhorar cada vez mais as nossas praias.

O monitoramento obedece aos padrões fixados na Resolução CONAMA nº 274/00, segundo a qual, as águas das praias serão consideradas PRÓPRIAS, quando em 80% ou mais de um conjunto de amostras, obtidas em cada uma das cinco semanas anteriores, e colhidas no mesmo local, houver no máximo 100 Enterococos/100 mL (NMP – Número Mais Provável). As águas das praias serão consideradas IMPRÓPRIAS, quando não atenderem aos critérios anteriores, ou quando o valor obtido na última amostragem for superior a 400 Enterococos/100 mL (NMP).

Praias de São Luís seriam impróprias para banho, segundo Folha de São Paulo

MARANHÃO – De acordo com a reportagem da Folha de São Paulo, esta é a situação das praias do Maranhão:

São José de Ribamar

  • Praia: Meio (Ponto de medição: Bar do Capiau). Situação: Péssima
  • Praia: Meio (Ponto de medição: Bar da Praia). Situação: Péssima
  • Praia: Aaragaçi (Ponto de medição: Fatima’s Bar). Situação: Péssima
  • Praia: Aaragaçi (Ponto de medição: Bar Novo Point). Situação: Péssima
  • Praia: Aaragaçi (Ponto de medição: Bar do Isaac). Situação: Péssima

São Luis

  • Praia: Ponta d’Areia (Ponto de medição: Forte Santo Antônio). Situação: Péssima
  • Praia: Ponta d’Areia (Ponto de medição: Edifício Herbene Regadas). Situação: Péssima
  • Praia: Ponta d’Areia (Ponto de medição: Hotel Praia Mar). Situação: Péssima
  • Praia: Ponta d’Areia (Ponto de medição: Bar do Dodô). Situação: Péssima
  • Praia: Ponta d’Areia (Ponto de medição: Praça de Apoio ao Banhista). Situação: Péssima
  • Praia: Ponta d’Areia (Ponto de medição: Hotel Brisa Mar). Situação: Péssima
  • Praia: São Marcos (Ponto de medição: Bares do Chef e Marlene’s). Situação: Péssima
  • Praia: São Marcos (Ponto de medição: Barraca da Marcela). Situação: Péssima
  • Praia: São Marcos (Ponto de medição: Agrupamento Batalhão do Mar). Situação: Péssima
  • Praia: São Marcos (Ponto de medição: Ipem e Bar Kalamazoo). Situação: Péssima
  • Praia: São Marcos (Ponto de medição: Foz do rio Calhau). Situação: Péssima
  • Praia: Calhau (Ponto de medição: À dir. da elevatória 2 da Caema). Situação: Péssima
  • Praia: Calhau (Ponto de medição: Pousada Tambaú). Situação: Péssima
  • Praia: Calhau (Ponto de medição: Bar Malibu). Situação: Péssima
  • Praia: Olho d’Água (Ponto de medição: À dir. da elevatória Iemanjá 2). Situação: Péssima
  • Praia: Olho d’Água (Ponto de medição: À dir. da elevatória Pimenta 1). Situação: Péssima
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Aquiles Emir
Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação