Pedro Bial se defende, diz que grosseiro foi Lula, que já mentiu a seu respeito

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Jornalista vem sendo alvo de campanha orquestrada por petistas

Alvo de uma campanha violenta, por parte de artistas, intelectuais e outros admiradores do ex-presidente Lula por ter declarado, numa entrevista ao Manhattan Connection (TV Cultural), que só entrevistaria o petista ao vivo se houvesse um detector de mentiras, o jornalista Pedro Bial, que apresenta o Conversa com Bial, na Rede Globo, em artigo na Folha de São Paulo, ao fazer sua defesa desse episódio, diz que grosseiro foi o petista, ao afirmar que não confiaria na edição do programa, se a entrevista fosse gravada.

Bial destaca que a campanha contra ele começou no portal UOL [portal que tem participação minoritária e indireta da Folha], e lembrou como tudo começou:

No início do programa “Manhattan Connection” de quarta-feira (14), Lucas Mendes perguntou-me sobre convidados que não vão ao programa, como ocorre quando ele convida Lula Bolsonaro. Na resposta, comentei das condições que, da prisão, Lula fixou ao manifestar seu desejo de participar de um “Conversa com Bial”. O ex-presidente disse que queria falar para mim, mas só se fosse ao vivo, pois não tinha confiança na minha edição. Conheço Lula há 40 anos, já o entrevistei algumas vezes, apenas uma ao vivo, quando fez suas primeiras declarações como presidente eleito, ao “Fantástico”, em 2002“.

Bial disse que Lula “enquanto presidente, concedeu-me duas entrevistas, sem fazer nenhum reparo à edição”, e destaca que quando alguém concede entrevista a um jornalista demonstrar confiar no interlocutor. “Qualquer entrevista pressupõe uma relação mínima de confiança. Grosseria é pressupor malícia e ousar impor condições como só faço ao vivo, não confio na edição”.

O jornalista diz ainda que sua resposta foi bem-humorada, bem ao estilo do programa, e jamais esperava que houvesse uma reação tão violenta:

E saibam agora que, em minha resposta bem-humorada à grosseria de Lula —“ao vivo, só com polígrafo”—, eu não estava apelando ao truísmo universal de que “políticos mentem”. Nem me referia a possíveis inverdades em discursos, declarações ou depoimentos do dono do PT. Tampouco invoquei a famosa entrevista em que Lula disse, como se falasse a verdade, que mentia mesmo para dramatizar estatísticas“.

Pedro Bial lembra ainda se alguém já mentiu sobre outro, isto veio de Lula, “que já mentiu a meu respeito“. Ele diz como isto ocorreu:

No fim de 2005, o então presidente me recebeu no Palácio do Planalto para uma entrevista sobre o escândalo do mensalão, que àquela altura trazia a sombra do impeachment. Seus assessores André Singer e Clara Ant são testemunhas do que vou narrar. Além deles, os diretores do Jornalismo da Globo, Carlos Schroder e Ali Kamel, também estavam presentes. Não faz tanto tempo, repórteres eram recebidos no Palácio do Planalto para cobrar governantes sobre questões suspeitas.

A entrevista tocou em pontos sensíveis, como era da obrigação de entrevistador e entrevistado. Fiz perguntas incômodas, sempre de forma educada. Foi nessa entrevista que Lula disse que as denúncias tinham sido “uma facada nas costas”, que o PT errou e que para recuperar a credibilidade diante da sociedade, teria ainda que “sangrar muito”. Concluída a gravação, Lula nos convidou, afável, para conversar na sala de reuniões ao lado de seu gabinete. Num papo amigável, de mais de uma hora, pediu opiniões, e as ouviu como se fossem conselhos.

A edição foi ao ar no “Fantástico” em 1º de janeiro de 2006 e acabou representando o início da recuperação de Lula, que culminou com a sua reeleição.

Oito anos depois, diante de uma claque de blogueiros governistas, Lula inventou uma versão daquele encontro no Planalto. “Vocês estão lembrados da agressividade do Bial quando ele foi me entrevistar no Palácio? Eu poderia ter levantado e falado: ‘Cai fora do meu gabinete!’. Não. Eu falei: ‘Vou mostrar para esse cidadão que educação a gente não aprende na escola, a gente aprende no berço’”, disse o ex-presidente.

Diante dos ataques que Lula fez a mim e à imprensa, a ombudsman da Folha à época, Suzana Singer, tratou do assunto, reviu a entrevista e escreveu, em 13 de abril de 2014: “Na verdade, Pedro Bial comportou-se exemplarmente, como um jornalista com independência: fez perguntas bem fundamentadas e incômodas, deixou o entrevistado falar e rebateu o que julgou necessário”. Suzana anexou o link da entrevista, que hoje é outro: https://memoriaglobo.globo.com/jornalismo/coberturas/mensalao/lula-fala/.

O link mudou, a verdade não. E dispensa o polígrafo“.

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Aquiles Emir
Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação