Acusado de matar o pai, Júnior de Nenzim se lança candidato a prefeito de Barra do Corda

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Empresário tem como principal concorrente o irmão Rigo Teles, que é deputado estadual

AQUILES EMIR

Aguarda deferimento da Justiça Eleitoral o pedido de registro de candidatura a prefeito de Barra do Corda, no interior do Maranhão, apresentado pelo empresário Manoel Mariano de Sousa Filho (PSC), 51 anos, o “Júnior do Nenzim”. Caso seja autorizado a concorrer, terá como um dos principais adversários o irmão Rigo Teles (PV), que é deputado estadual.

Para muitos moradores de Barra do Corda, trata-se de uma grande ousadia esse pedido e seria mais surpreendente ainda uma eventual vitória nas urnas desse candidato, já que é acusado de mandar ou ter executado a morte do próprio pai, Manoel Mariano de Sousa, Nenzim, que foi três vezes prefeito do município.

O crime ocorreu em dezembro de 2017, e, segundo levantamentos da polícia, foi consequência de um desentendimento entre pai e filho por conta de um suposto roubo de animais numa das fazendas da família. Júnior de Nenzim, estaria vendendo gado para pagar dívidas com agiotas que teriam financiado sua candidatura em 2016, quando enfrentou o atual prefeito, Erick Costa, o Dr. Erick. Nenzim teria marcado uma visita à fazenda para conferir o gado, e por isso foi levado a uma emboscada para não comprovar que estava sendo enganado pelo filho.

Na manhã do crime, Júnior passou na casa do pai a fim de levá-lo a um advogado com quem iriam conversar sobre assuntos sobre a eleição passada, que esperava reverter o resultado na Justiça Eleitoral. Pela sua versão, o pai teria sido atingido por um tiro quando fazia xixi, ao lado da caminhonete, num terreno vazio. O ex-prefeito chegou a ser levado a uma UPA e transferido a um hospital, mas morreu no caminho.

Júnior de Nenzim discursando ao lado do pai na eleição de 2016

Assassinato – Para o Ministério Público, a versão de Júnior é insustentável e teria sido ele mesmo o autor do disparo contra a cabeça do pai. Segundo o MP, a Polícia Civil apontou que houve um intervalo de 40 minutos, do tiro à chegada à UPA. O veículo foi apreendido já lavado e sem o banco do passageiro, que havia sido retirado porque estava encharcado de sangue, o que dificultou a perícia.

Junior de Nenzim foi preso no dia do sepultamento do pai. Ele estava na missa de corpo presente quando foi avisado que a polícia obtivera ordem de prisão, e fugiu. Dias depois foi preso e encaminhado para a Penitenciária de Pedrinhas, na capital, São Luís, de onde saiu ano passado, autorizado que foi pelo Tribunal de Justiça a aguardar o andamento do processo em liberdade.

Aos amigos e correligionários, o empresário diz não haver nenhum impedimento em pleitear a Prefeitura, pois ainda não foi julgado e condenado. Ele continua jurando inocência.

(Com informações de Rubens Valente, colunista do UOL)

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Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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