Para presidente do Sindcombustíveis, somente com “lavagem de dinheiro” se poderia vender gasolina por um preço tão baixo em São Luís

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AQUILES EMIR

Enquanto o Governo do Estado comemora, como resultado de sua “justiça fiscal”, a constatação, pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), de que o Maranhão tem a gasolina mais barata do Brasil, o presidente do Sindicato dos Distribuidores de Combustíveis (Sindcombustíveis), Orlando Santos, levanta uma grave denúncia. Segundo ele, somente lavagem de dinheiro de origem duvidosa poderia justificar valores tão baixos como os praticados por alguns postos na capital.

De acordo com o empresário, basta uma comparação de quanto custa o litro da gasolina na distribuidora e por quanto ele vem sendo vendido ao consumidor final para se chegar à conclusão de que algo de errado está ocorrendo neste setor, pois seria um fenômeno curioso: um empresário empreender para perder dinheiro, já que o preço final às vezes chega a ser inferior ao recebido das fornecedores.

Segundo o último levantamento da ANP, o preço médio da gasolina, nas distribuidoras, em São Luís, é de R$ 3,24, enquanto no interior chega até R$ 3,60, como é o caso de Imperatriz, mas Orlando Santos garante que em São Luís ele varia de R$ 3,44 a R$ 3,55, e pergunta: “Como alguém recebendo gasolina por este preço pode vendê-la a R$ 3,50?”.

Preços – Pelos cálculos do empresário, ainda que os valores da ANP estivessem corretos, o custo final do combustível não poderia ser inferior a R$ 3,70, pois a margem segura para sustentação de um posto é R$ 0,50 por litro. “Se um posto que vende 100 mil litros de gasolina por mês ganhar R$ 0,50 por litro ele fatura R$ 50 mil por mês, e isto é praticamente o que uma empresa gasta com salários de frentistas e outros empregados, energia, água, telefonia, transporte do combustível até a bomba e outras despesas”, ou seja, fica uma pequena margem de lucro.Conforme o último levantamento da ANP, o preço médio na capital é R$ 3,76, variando de R$ 3,69 a R$ 3,79, mas para Orlando Santos a gravidade maior é com aqueles que estão vendendo por menos disso, pois não há explicação lógica para o cálculo.

Para o presidente do Sindcombustíveis, de nada nada adianta ir atrás de quantidade de da qualidade do líquido vendido, pois o segredo desse negócio não é volumetria e pureza da gasolina, e se o Ministério Público e a Receita Federal decidirem investigar a fundo esse mistério vão chegar a uma grande surpresa: a origem do dinheiro que está movimentando algumas empresas.

Ele recorda que há pouco tempo havia suspeitas de cartel para elevação de preço, mas ninguém atenta para a cartelização para depreciá-los.

Pelo que suspeita Orlando Santos, alguns postos são apenas fachada para o principal negócio do proprietário, pois numa empresa normal isto jamais ocorreria, e cita o exemplo do interior do estado, onde o preço final é sempre na margem de R$ 0,50 a mais do que o valor recebido.

Ele também questiona por que a “justiça fiscal” não se aplica a outros combustíveis, como óleo diesel e etanol e até mesmo gás de cozinha, e a resposta é ele quem dá: “porque na venda desses produtos está se aplicando as regras de mercado”.

Concorrência – Orlando Santos diz ainda que o grande problema dos postos que praticam esses preços fora da realidade é sua proximidade das empresas normais, pois criam uma disputa desleal e forçam o concorrente a baixar o quanto podem e nesse tipo de jogo só as grandes redes podem se manter porque compensam com os lucros obtidos em outras regiões e porque vendem em quantidade bem maiores.

O presidente do sindicato diz não ser contra concorrência de preços, mas não vê como normal a prática de depreciação do setor, pois a continuar essa prática, muitas empresas vão quebrar. Para ele, a grande questão é saber se há interesse de investigar isto e trazer os preços para próximos da realidade e São Luís deixar de ter a gasolina mais barata do Brasil.

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Aquiles Emir
Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação