No mês de abril produção industrial cai em 13 dos 15 locais pesquisados pelo IBGE

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A produção industrial de São Paulo recuou 23,2% em abril, a maior queda desde o início da série histórica da Pesquisa Industrial Mensal Regional, em janeiro de 2002. Os dados divulgados nesta terça-feira (09) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) refletem os efeitos do isolamento social para controle da pandemia de Covid-19 em várias unidades produtivas do país.

Com a paralisação de diversas unidades de produção, a pesquisa mostrou queda em 13 dos 15 locais pesquisados, na passagem de março para abril, com redução de 18,8% no país. Oito desses locais atingiram o resultado negativo mais intenso da série histórica: Amazonas (-46,5%), Ceará (-33,9%), Região Nordeste (-29,0%), Paraná (-28,7%), Bahia (-24,7%), São Paulo (-23,2%), Rio Grande do Sul (-21,0%) e Rio de Janeiro (-13,9%). Os dados do Maranhão estão incluídos no item Nordeste.

São Paulo, maior parque industrial do país, foi o principal destaque negativo do mês, com sua produção recuando 23,2% em relação a março. “São Paulo concentra aproximadamente 34% da indústria nacional e atinge nessa passagem (de março para abril) a taxa mais intensa de sua série histórica. Os setores que mais influenciaram essa queda foram o de veículos automotores e o de máquina e equipamentos”, explica o analista da pesquisa, Bernardo Almeida. É o terceiro mês consecutivo de queda da produção industrial paulista, acumulando -27,9% no período.

A segunda maior influência no resultado nacional foi o Paraná, com queda de 28,7%, acumulando -32,3% em dois meses. Assim como São Paulo, os setores de veículos automotores e de máquinas e equipamentos foram os que mais contribuíram para o maior recuo da série histórica no estado. Já o Rio de Janeiro, terceiro maior destaque negativo, acumulou uma perda de 15,6% em três meses, influenciado pelas quedas nos setores de veículos automotores e de derivados do petróleo.

O setor de Outros equipamentos de transporte pressionou o resultado do Amazonas, que acumulou uma queda de 53,2% em três meses. “Quando a gente fala isso para o Amazonas, a gente pode inferir que é uma queda na produção de motocicletas, que é o principal produto nesse setor. Outro setor que também é muito influente dentro da indústria amazonense é o de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos”, explica Bernardo.

Outras quedas foram observadas em Espírito Santo (-16,7%), Minas Gerais (-15,9%), Santa Catarina (-14,1%), Pernambuco (-11,7%) e Mato Grosso (-4,3%).

Bernardo Almeida destaca que pelo isolamento social ter começado a partir da segunda quinzena de março, naquele mês os impactos não foram sentidos de forma completa. “Quando chegamos em abril, vimos que a queda foi bastante impactante e significativa. Estamos no pior patamar da série histórica a nível nacional”, declara.

Voltaram a crescer – Pará e Goiás foram os únicos locais que tiveram índices positivos na passagem de março para abril. O Pará foi a principal influência positiva sobre o resultado nacional, crescendo 4,9% após um resultado negativo de -14,4% no mês anterior. “O crescimento desse mês pode ser atribuído a um aumento no setor extrativo, que não reduziu sua capacidade produtiva totalmente e responde por 88% da indústria paraense. Outro setor que também pode tem influenciado positivamente é o setor de alimentos”, analisa Bernardo.

Já Goiás cresceu 2,3% em abril, após um recuo de 2,5% no mês de março. “Esse crescimento também pode ser atribuído ao setor de alimentos e ao setor farmacêutico. Lembrando que esses dois setores vão na contramão do movimento da indústria nacional. São setores que produzem itens considerados essenciais nessa pandemia”, completa.

Indústria cai – Treze dos 15 locais pesquisados também tiveram queda na comparação com abril de 2019. Nessa comparação, nove dos 15 locais atingiram seu resultado negativo mais intenso desde o início da série histórica: Amazonas (-53,9%), Ceará (-53,0%), Rio Grande do Sul (-35,8%), Região Nordeste (-33,1%), São Paulo (-31,7%), Santa Catarina (-30,8%), Paraná (-30,6%), Pernambuco (-29,1%) e Bahia (-26,5%).

Espírito Santo (-23,9%), Minas Gerais (-20,4%), Mato Grosso (-11,6%) e Rio de Janeiro (-5,4%) completam o grupo com índices negativos. Também nessa comparação, Pará (37,6%) e Goiás (0,4%) foram os únicos com resultados positivos.

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Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação