Sempre o pobre em primeiro lugar

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Todo programa que beneficia ricos tem os mais injustiçados como foco principal

 

  • AQUILES EMIR
    • Jornalista e editor de Maranhão Hoje

Na semana que passou foi divulgada uma notícia curiosa: membros de um segmento da pecuária brasileira apresentaram ao governo federal uma sugestão para que fosse criado um Vale Carne como complemento de renda aos beneficiários do Bolsa Família, de, no mínimo de R$ 35,00, valor que proporcionaria a compra de pelo menos dois quilos de carne por mês. Este novo benefício, conforme análise dos autores da sugestão, contribuiria para o presidente Lula cumprir uma de suas mais famosas promessas de campanha em 2022: a garantia, aos mais pobres, da picanha assada todos os finais de semana, na companhia de uma “cervejinha gelada”.

Fazendo-se as contas, o investimento com este novo benefício, levando-se em conta apenas o repasse do valor líquido, corresponderia num estado como o Maranhão, onde são 1,2 milhão de inscritos no benefício, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), R$ 42 milhões por mês, ou seja, R$ 504 milhões por ano. No Brasil, onde há 5,88 milhões de beneficiários do BF, seriam R$ 205,8 milhões por mês ou cerca de R$ 24,6 bilhões ao ano.

Convenhamos, seria uma ajuda e tanto para a cadeia produtiva deste setor do agronegócio, que envolve fazendas, transportadoras, frigoríficos e varejistas (açougues, supermercados etc), fora os beneficiados indiretamente, como fornecedores desses estabelecimentos, consultores, publicitários…

A leitura, porém, não deve ser assim, até porque não seria adequado a um governo de esquerda beneficiar a fatia mais conservadora do empreendedorismo, com alguns dos seus integrantes ostentando na testa o carimbo de “bolsonarista”, “fascista”, “nazista”, “golpista”, “terrorista” e outros de adjetivos nada enriquecedores a um currículo.

O correto seria dizer que o governo está socorrendo os mais vulneráveis (pobres e miseráveis de antigamente) que estão em insegurança alimentar, mas que a partir da adoção dessa proteína em seu cardápio passariam a ter mais saúde, mas qualidade de vida e satisfação por consumir o mesmo que cai com bastante frequência na mesa dos mais ricos.

Foi divulgada também na semana que passou notícia sobre um importante evento que uma famosa empresa de um ex-famoso político vai realizar em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, com participação de líderes e especialistas em meio ambiente de todo o mundo.

É de se imaginar que trata-se de um evento milionário, porém que não se diga que haverá derrame de dinheiro numa brincadeira de ricaços e privilegiados do serviço público, pois, conforme justificativa do organizador, em  pauta estarão discussões sobre medidas que irão proteger e beneficiar diretamente caboclos e ribeirinhos da Amazônia, ou seja, um evento focado nos mais pobres.

Como dá para perceber os mais humildes estão sempre obrigando os mais privilegiados à responsabilidade de encontrarem coisas que podem tornar o mundo mais justo, mais igualitário, com um fosso mais estreito entre ricos e pobres etc, a exemplo do que já foi feito em centenas de outras ações em favor de quebradeiras de coco, indígenas, quilombolas, mulheres em pobreza menstrual etc, mas estes, infelizmente, continuam padecendo das mesmas carências dos tempos coloniais.

No Brasil, infelizmente, sempre que alguém planeja algo para os mais abastados, os pobres são chamados para serem o foco principal da ação, mas o dinheiro sempre entra primeiro pelos cofres de grandes empresas e instituições da sociedade civil e os benefícios quase nunca chegam a quem vive esperando, esperando, esperando e esperando, mas acreditando, acreditando e acreditando.

Boa sorte, Brasil.

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