Turismo nacional cresce 43,5% em março na comparação anual com igual período de 2021

0
327

Embalado pelos últimos dias de carnaval e pela volta à normalidade em quase todo o país, setor fatura R$ 15,4 bilhões 

Em março, o turismo nacional faturou R$ 15,4 bilhões – alta de 43,5% (R$ 4,8 bilhões, em termos monetários) –, em relação ao mesmo período de 2021. Os dados são do levantamento do Conselho de Turismo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Diante deste resultado, ainda que os números permaneçam 7,1% inferiores, quando comparados ao mesmo mês de 2019, o setor se aproxima dos patamares anteriores à pandemia.

O turismo brasileiro cresceu impulsionado, principalmente, pelo setor aéreo, que faturou R$ 4,4 bilhões – aumento de 113,5% em um ano. Entretanto, na comparação com 2019, o segmento apresentou faturamento 3,8% menor (já com a atualização monetária).

Quatro fatores contribuíram para o crescimento do transporte aéreo no mês, dentre eles, maior contenção da variante ômicron, demanda reprimida na pandemia, dias de carnaval no início do mês e redução quase total das restrições e do uso de máscaras. Além destes fatores, a alta do querosene de aviação influenciou o aumento no faturamento, ao fazer os preços das passagens subirem na segunda quinzena de março.

O movimento nos aeroportos também pressionou os meios de hospedagem e restaurantes. Os serviços de alojamento e alimentação, os mais importantes para o setor, cresceram 57,7%, apontando faturamento de R$ 4,45 bilhões. Outra variação expressiva foi observada nas atividades culturais, recreativas e esportivas, que cresceram 33,2%, chegando a R$ 1,25 bilhão.

Os mesmos fatores que influenciaram o setor aéreo também impactaram o transporte terrestre, que faturou R$ 2,7 bilhões (alta de 11,1%), superando em 9,3% o nível registrado em março de 2019. O aumento das passagens aéreas deve continuar incentivando a procura por viagens via ônibus interestaduais.

 As atividades de locação de meios de transporte, agência de turismo, operadoras e outros serviços apontaram alta anual de 4,5%. O faturamento foi de R$ 2,54 bilhões. Mesmo com a variação relativamente menor às demais, o desempenho do grupo está apenas 3% abaixo do nível de março de 2019.

Por fim, o transporte aquaviário faturou R$ 41,4 bilhões, registrando queda de 1,6% na comparação anual. A baixa está relacionada à base de comparação, já que o setor apresentou desempenho bastante favorável durante a pandemia, superando, em 25,2%, o nível anterior à crise sanitária.

Para os resultados de abril, a expectativa é que feriados e desfiles de carnaval, além da própria base de comparação – já que, no ano passado, o faturamento estava na casa dos R$ 10 bilhões –, demonstrem impacto positivo no turismo nacional. No entanto, há o desafio de amenizar o aumento dos custos, tanto para reduzir o repasse aos consumidores, quanto para manter a lucratividade.

Para Mariana Aldrigui, presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP, ao mesmo tempo que se celebra a equiparação do faturamento ao pré-pandemia, observa-se que o cenário econômico que se desenha implicará queda no número de pessoas viajando, seja a lazer, seja a negócios.

“A diversificação da oferta de produtos com custo final mais baixo ou com boas condições de parcelamento pode ser uma alternativa para o setor de agenciamento e operação. O turismo doméstico de curta distância tende a sair fortalecido”, avalia ela.

Nota metodológica – O estudo é baseado nas informações da Pesquisa Anual de Serviços e dados atualizados com as variações da Pesquisa Mensal de Serviços, ambas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os números são atualizados mensalmente pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), e foram escolhidas as atividades que têm relação total ou parcial com o turismo. Para as atividades que têm relação parcial, foram utilizados dados de emprego ou de entidades específicas para realizar uma aproximação da participação do turismo no total.
Compartilhe
Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação