Vacina contra Covid-19 e avanços no campo aeroespacial e agropecuário marcam a ciência brasileira nos últimos quatro anos

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Gifted Asian scientist wearing rubber gloves and safety masks working together on creation of cancer vaccine, interior of dark laboratory on background

Pela primeira vez, empresa privada enviará foguete do Centro Espacial de Alcântara

No campo da ciência e tecnologia, os últimos quatro anos foram marcados por diversas conquistas estratégicas para o país. Entre os destaques, estão o desenvolvimento da primeira vacina contra Covid-19, com tecnologia e insumos totalmente nacionais; o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas assinado com os Estados Unidos, que assegurou condições para a chegada do primeiro foguete comercial a ser lançado por uma empresa privada da base de Alcântara (MA); os avanços científicos no campo da agropecuária para assegurar uma produção pautada em baixa emissão de carbono e a inclusão do Brasil no conselho do CERN, a Organização Europeia para Pesquisa Nuclear.

Em novembro, as ações de combate à Covid-19 entraram em um novo estágio no país. Foram iniciados os estudos clínicos em seres humanos da SpiN-Tec MCTI UFMG – a primeira vacina contra a Covid-19 desenvolvida com tecnologia e insumos totalmente nacionais e financiada por instituições brasileiras. As pesquisas para o desenvolvimento da vacina foram iniciadas em novembro de 2020.

A SpiN-Tec MCTI UFMG foi desenvolvida em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz em Minas Gerais (Fiocruz Minas), com investimentos de cerca de R$ 16 milhões do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI).

O MCTI investiu, por meio da RedeVírus MCTI, desde 2020, R$ 32 milhões em dez projetos nacionais de desenvolvimento de vacinas contra a covid-19, com 15 diferentes estratégias. Foram disponibilizados outros R$ 105 milhões para a realização de ensaios clínicos de Fase I e II aos projetos que receberam autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Cinco projetos foram qualificados e, até o momento, dois receberam autorização da Anvisa para iniciarem os ensaios clínicos: SpiN-Tec MCTI UFMG e RNA MCTI Cimatec HDT.

Engenharia espacial – Assinado em 2020, pelos governos brasileiro e americano, em Washington, o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST) autoriza o Brasil a realizar lançamentos de foguetes e espaçonaves, para fins pacíficos, de quaisquer nacionalidades contendo componentes americanos. Com isso, já chegaram ao país as primeiras peças e equipamentos do foguete que será lançado na base de Alcântara, entre os dias 19 e 21 deste mês, pela empresa espacial coreana Innospace.

Esta é a primeira vez que uma empresa privada enviará um foguete ao espaço a partir do Centro Espacial de Alcântara, operado pela Força Aérea Brasileira, no Maranhão.

Outro ponto de destaque se deu também em novembro deste ano, quando o satélite SPORT (Scintillation Prediction Observations Research Task), fruto de uma parceria entre a AEB e a Agência Espacial Norte-americana (Nasa), foi lançado do Kennedy Space Center, na Flórida (EUA). A missão estudará as bolhas de plasma que se formam no alto da ionosfera sobre o Equador, atrapalhando sinais de rádio e GPS.

No campo nuclear, a Medida Provisória nº 1049, de 2021, criou a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN). A autarquia federal é responsável por monitorar, regular e fiscalizar as atividades e instalações nucleares no Brasil e é uma consolidação de um novo marco legal nuclear em matéria de regulação, normatização, licenciamento, controle e fiscalização de elementos estratégicos.

Além disso, o Brasil assinou, em março de 2022, um acordo para tornar-se membro associado da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), um dos maiores laboratórios de pesquisa em física de altas energias e física de partículas do mundo.

Fertilizantes e bioinsumos – O Brasil é responsável, atualmente, por cerca de 10% do consumo global de fertilizantes, ocupando a quarta posição, atrás apenas da China, Índia e dos Estados Unidos. Diante das incertezas do cenário internacional, em especial com o conflito Rússia-Ucrânia, e em se tratando ser um insumo fundamental nas lavouras, o Governo Federal lançou o Plano Nacional de Fertilizantes, que visa reduzir a dependência atual de 85% da importação de fertilizantes para cerca de 50% até 2050.

Outro ponto a ser ressaltado foi a criação do Programa Nacional de Bioinsumos, em 2020. Os bioinsumos são produtos, processos ou tecnologias de origem vegetal, animal ou microbiana destinados ao uso na produção, no armazenamento e no beneficiamento de produtos agropecuários.

Ainda no campo da ciência voltada para a agroindústria, foi lançado, em 2021, o Plano ABC+, uma nova etapa do Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC). Entre as principais metas do ABC+, estão a disseminação de tecnologias de baixa emissão de carbono a mais de 72,68 milhões de hectares de terras agricultáveis, o que representa um incremento de 106% em relação à primeira fase do plano ABC, e a mitigação de cerca de 1 bilhão de toneladas de CO2 equivalente, superando o recorde alcançado na primeira etapa.

Além disso, o Plano ABC+ prevê o uso de microrganismos a partir de bioinsumos, não apenas para a fixação biológica de nitrogênio, mas também como promotores do crescimento de plantas, além de melhorar a fixação e ou disponibilidade de nutrientes no solo. A proposta de aplicação para essa tecnologia, até 2030, é de 13 milhões de hectares.

Mudanças climáticas – Em um momento em que se ampliam, em todo o planeta, as discussões em torno de medidas globais que possam frear o processo das mudanças climáticas no globo, o Brasil dispõe da Plataforma AdaptaBrasil MCTI.

A plataforma é um sistema de informações sobre riscos das mudanças climáticas no Brasil e oferece subsídios para a tomada de decisão no planejamento de ações de adaptação. Estão disponíveis para consulta online gratuita e download, para todos os 5.570 municípios brasileiros as análises de risco atual e esperado, tendo em vista cenários de mudanças climáticas.

Desta forma, já é possível ter acesso a informações sobre doenças, como malária, recursos hídricos, segurança alimentar e segurança energética. A ferramenta ganhou, em maio deste ano, um novo setor estratégico: o de portos. Agora, a solução passa a reunir informações que permitirão análises exploratórias e subsidiarão tomadas de decisão em função dos riscos climáticos atuais e projetados em cada um dos 21 portos brasileiros considerados.

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